19 de julho de 2019

O que fez você escolher o Direito como meio para alcançar uma profissão?

Você já pensou no porquê de ter escolhido o Bacharelado em Direito (ou Licenciatura em Portugal)?

Alguma profissão em concreto, dentre o rol de mais de 15 específicas, para profissionais da área?
Direito - só amor, dinheiro nada!
Direito - amor, dinheiro ou prestígio?

De antemão, talvez como incentivo, apresento o meu depoimento:

Fiz Direito porque não podia fazer Arte Culinária, Gastronomia ou Psicologia e mesmo assim candidatar-me ao posto de Delegada Federal em um Concurso (até Estadual estaria bem - era sonho); entretanto, só fui estudar tarde - falo isso porque um dos requisitos para ser Delegado é ter saúde física e mental perfeitas, quando me formasse já teria, no mínimo, 34 anos!

Entrei na Faculdade com 29 anos, todavia estava em forma (fazia Karatê Shotokan), mas trabalhava nos dois períodos e em cidades distintas (região metropolitana de Cuiabá-MT), depois retornava ao ponto (quase de princípio) para estar na Universidade.

Eram muitas atividades, muita correria de um lado para outro; por isso demorei 6 (seis) anos para me formar, e "nas coxas"!

Por essas e outras, digo sempre: todo mundo pode sair com um diploma de Direito; apenas frequente as aulas, tire uma nota medíocre (a mínima para passar) e faça um estágio, ainda mais medíocre...; neste último caso tenho orgulho de dizer: o meu estágio foi fantástico! 

Infelizmente, só nos dois últimos anos é que me dei conta (e consegui) entregar algo bom - uma Monografia (hoje TCC) 'top' - nota 9,5 com uma apresentação razoavelmente boa! Naquele tempo eu temia mais falar em público que ir a uma guerra, por isso a nota não foi 10 (dez)! 

Durante o estágio aconteceu o reverso dos primeiros anos! Sempre fui elogiada pelos clientes e professores, talvez porque chegou o tempo de 'criar vergonha na cara', de dar o melhor de mim, fazer um bom trabalho em benefício dos que necessitavam! 


O estágio era na própria Faculdade, mas muito intenso - havia clientes que passavam por uma triagem com Assistentes Sociais; assim, só recebíamos pessoas SEM recursos, mas eram muitos e de todas as áreas - às vezes, a própria Justiça enviava solicitação de Defesa gratuita para a Faculdade e aí nos tocava defender alguém que já estava preso e não tinha Advogado constituído!

Quando falo de mim, que fiz Direito "nas coxas", logo me recordo de alguns "filhinhos de papais", que também estudavam na mesma que eu (paga), e, apesar de terem feito o secundário em boas escolas não conseguiram passar na Federal, para o curso em questão. 

Muitos desses se tornaram "Bacharéis de barzinho*", coisa que nunca fui; só fui àquela aluna frequente, mas cansada por causa dos dois empregos que tinha, além de dispersa; "voava" durante as aulas! Entretanto, não dava para ser diferente, a Faculdade era paga (e por mim), sozinha! Saísse de um dos empregos (para estar menos cansada) não sobraria dinheiro para seguir estudando, o jeito foi continuar, turante muito tempo, medíocre, uma das piores da sala!
*Na época (1998/99/2000), no meu Estado, toda Faculdade tinha barzinhos ou lanchonetes, na frente - alguns alunos passavam o horário de aula dentro deles, jogando sinuca, canastra, tomando algo, fumando, namorando ou tudo isso junto; esses são os que "nomeio", "Bacharéis de Barzinho"!
Já eu, como disse, era a cansada, desconcentrada; com poucos amigos e uma das mais pobres da turma!

No final das contas fui feliz, consegui o Diploma que tanto queria para fazer Concurso de Delegada; mas, mal sabia eu, em minha ignorância passada, que ninguém aprova (mesmo naquele tempo) sem saber nada, só com um Diploma nas mãos!

O que fiz foi ir à fundo em mais dois cursos pagos: um para Delegada do Distrito Federal (com todas as matérias, mas direcionado) e outro para OAB, também direcionado! Não me sobrava dinheiro nem para as calçolas, afinal ainda tinha que pagar academia, onde fazia Karatê (algumas horas), sexta e sábado!

Foi durante àqueles 'cursinhos' intensivos que aprendi tudo o que devia ter aprendido na Faculdade - lá descobri que estava "crua"; não sabia absolutamente nada; a sorte que tive é que os demais alunos se comportavam como se estivessem em uma olimpíada - cada um queria saber mais que o outro e demonstrar! Acabei fazendo o mesmo e saí na frente de muitos!


Só por causa desses cursos fui capaz de passar na OAB de primeira - não muito de primeira porque perdi a segunda fase do primeiro Exame. Remarcaram a data da segunda fase para a mesma data da prova de Delegado de Polícia do DF, que era minha prioridade (mesmo dia, mesma hora e mais de 1.000 quilômetros de distância)! Os infelizes da OAB, que remarcaram, sequer me deram o privilégio de fazer só a segunda fase (no próximo exame), muito menos me deixar isenta para fazer uma segunda vez, afinal a culpa foi deles, que remarcaram - me DEVIAM isso!

Fui ao DF, obtive nota de aprovação, mas sem possibilidade de ser chamada para segunda fase! Voltei para Cuiabá (com certa frustração), e decidi estudar tudo de novo para OAB. Consegui aprovação na primeira e segunda fase e acabei virando Advogada em 2004; também era (e é) uma profissão do Direito que aprecio muito, e já havia comprovado ser uma boa profissional durante o estágio - os clientes apreciavam meu trabalho.




O tempo passou e eu Advogando e fazendo concursos; um "belo dia" fraturei o joelho no Karatê e ele nunca mais foi o mesmo; parei com o esporte e com qualquer atividade física e virei sedentária! Um tempo depois, fazendo caminhada no parque, forcei na abdominal (chão de cimento puro) e acabei descobrindo que meu Cóccix estava quebrado há muito tempo e eu sequer sabia; assim que, Delegada não seria mais!

Enfim, minha carreira profissional se resumiu em Advogar alguns anos e fazer concursos para certas áreas do Direito (as de nível Superior/SUPERIOR - de início Delegada, logo depois Procurador de Estado e Federal, Defensor Público e Juiz); em alguns aprovei nas primeiras fazes e reprovei nas demais; outros, sequer passei na primeira! 

Desses 15 (quinze) anos como Advogada, 5 (cinco) anos estive fora, em outro país e um pouco 'fora do ar' - apesar de ter feito um Mestrado na Lusófona de Lisboa, e trabalhado em coisas nada a ver com o Direito, pude ser muito feliz - aproveitei cada momento que tinha para conhecer grande parte do Continente Europeu, coisa que jamais imaginaria (nem em meus melhores sonhos)!

Fui feliz ao meu modo - não mudaria nada, a não ser ter me tocado antes que a Filosofia é o melhor dos mundos!

- Ah, mas isso não dá dinheiro! Você iria viver do que? Ser Professora de secundário, mal paga e ainda sofrer bulliyng e ameça de alunos e pais para aprovar o filhote?

Porque, verdade seja dita: ninguém acha que Filosofia vale nada, e sendo assim, os filhos devem ser aprovados, mesmo que não tenham  aprendido nada!

BEM, mas mal pagos os Advogados já são; Filosofia seria apenas se eu não precisasse de dinheiro para viver como vivo e ter o que tenho!

Hoje vivo apenas de Consultoria Jurídica, de meus Blogs, de produção de conteúdo para afiliados e de Marketing de afiliados! Ainda ganho pouco, mas não precisar sair de casa é um luxo!

Por Elane F. de Souza - Advogada, Blogueira e administradora da fã page de Diário de conteúdo Jurídico.
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Imagem/créditos: Edição Elane Souza DCJ
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